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O Feminino no Realismo Brasileiro

Miss. Leticia de La Torre
Miss. Leticia de La Torre (1 post) Head of Modern Foreign Languages Ver Perfil

"Olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia…"

 

 

 

Joaquim Machado de Assis, maior autor Realista brasileiro, ao escrever uma de suas mais célebres obras, Dom Casmurro, em 1899, cria Capitu, talvez  uma das personagens mais famosas da Literatura Brasileira. Maria Capitolina Santiago foi uma personagem "a frente de seu tempo", desfazendo as amarras que o Romantismo "prendia" às personagens femininas românticas até então, desprendimento esse dado o período literário Realista que Machado inaugura no país, posto que até dado momento as personagens românticas femininas eram descritas como lindas jovens de pele alva, recatadas, prendadas, sofredoras que tinham como único objetivo o casamento, esse arranjado pelas famílias por meras convenções sociais. Mulheres frágeis, muitas vezes a sofrer desmaios, lânguidas sonhadoras, mulheres obedientes, benevolentes a perseverar e sofrer páginas e páginas por um amor idealizado. A mulher do século XVIII era mera posse de um homem, vivia para e pelo sexo oposto, fato constatado na citação do filósofo quando diz: “[...] conceber a mulher como 'posse' como propriedade a manter sob sete chaves, como algo destinado a servir….” (NIETZSCHE)

 

O autor, com Capitu e o Realismo brasileiro, cria uma personagem feminina real, forte, decidida, apaixonante e apaixonada, dona de si, alguém que erra e acerta, quiçá adúltera, criando assim o grande enigma da literatura nacional, Capitu traiu Bentinho? Antonio Candido disse: "Dentro do universo machadiano, não importa muito que a convicção de Bento seja falsa ou verdadeira, porque a consequência é exatamente a mesma nos dois casos: imaginária ou real, ela destrói sua casa e a sua vida." 

 

 

Nas aulas de Português como primeira língua no Y10 lemos a obra prima machadiana e analisamos as características da narrativa e como a personagem feminina é retratada, e ainda, a desconstrução dessas características dadas a mulher na Literatura do Romantismo de Alencar ao Realismo de Machado. Ainda tivemos a oportunidade de compará-la à Macabéa de Clarice, ao ler A hora da Estrela. É de grande importância a caracterização feminina na Literatura, pois retrata e molda os padrões sociais considerados referências, algumas obras serviam como um manual de boas maneiras a seguir ou talvez a evitar, aprendemos juntos mais sobre História, Sociedade, ao contextualizar as obras lidas e como temas discutidos atualmente em sala eram vistos em determinado período. Debater a respeito dessa caracterização gera reflexões contundentes, esclarecedoras e constrói com a turma um saber partilhado a respeito da maneira como a mulher foi vista ao longo dos anos na sociedade através das páginas escritas à pena, à máquina e na era digital binária.

 

 

 

Por conseguinte, deixamos aqui, Y10 e eu, o nosso apelo e convite à leitura da obra aqui meramente descrita, de forma alguma houve a pretensão de analisá-la, que fique claro, visto que obra prima dessa grandeza merecia mais que meros caracteres para o assim fazê-lo, mas apenas a constatação de nossa satisfação em estudar, aprender sobre Assis e sua Capitu que com sua luz persona coadjuvante apaga Bentinho persona principal e seu ciúmes desmedido. "Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me."

 

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